domingo, 26 de agosto de 2012

Não à violência contra animais!

A cada dia as notícias de violência e abandono de animais se tornam mais frequentes. A sociedade já se acostumou em ver esses anjinhos sofrerem...Mas eu nunca me conformarei!Como amante dos animais eu me vejo na obrigação de falar sobre isso em meu blog. Vamos dar um basta nessa situação, comigo?


Como alguém consegue ser capaz de abandonar uma criatura tão amável nas ruas? Porquê está comendo as flores do jardim? Por quê late demais? Por quê vai viajar? Não, isso não é justificativa. Isso é problema seu! Quem quer um animalzinho se compromete com tudo isso e sabe das consequências de ter um anjo desses em casa. Animal nenhum, seja da espécie que for, merece ser abandonado nas ruas e destinado a viver sujo, com fome, com sede, sem carinho, sem uma cama quentinha...Além disso, muitos cães de rua são mal tratados e espancados por  bêbados e até mesmo pessoas sem caráter, que se julgam superiores por serem seres humanos. Agora eu te pergunto: que tipo de ser humano seria capaz de fazer mal à anjos como esses animais? 
Se alguém não têm condições econômicas, físicas ou emocionais para manter um animalzinho com tudo que ele tem direito, nós, defensores dos animais pedimos, encarecidamente, que NÃO adote ou compre! Porque, depois, quando você precisar se desfazer dessa criaturinha, ela vai sofrer muito sem merecer! E você não vai poder se justificar...
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Com essas enchentes desastrosas que vêm assolando o Brasil, vemos cães e gatos sendo abandonados em meio à lama, água, destroços...Sendo obrigados a sobreviver sem comida, molhados e com frio! Isso não está certo! Eles são tão dóceis, tão comprometidos com seus donos para serem abandonados quando acontece uma tragédia? Isso é justo, sociedade? E as torturas, os maus-tratos, os espancamentos? E aqueles que matam os pobres bichinhos por "darem trabalho"? Está certo isso? NÃO, ISSO É INACEITÁVEL! 
A minha vontade é de sair pelas ruas recolhendo todos os animais abandonados (não só cães) para cuidar, com amor e carinho, de cada um deles. Mas não posso...Quem sabe uma ONG possa fazer isso? Por quê o nossos governo não pode construir um local para abrigar esses animais e contratar funcionários amorosos para cuidar deles ao invés de gastar bilhões com um estádio de futebol? Um país que se importa mais com samba, cerveja e futebol do que com os animais carentes: uma vergonha!
Vira-latas são lindos! Você sabe o tanto de animais sem raça definida estão por aí, à espera de um dono que o dê alimento, abrigo e amor? Esses animais abandonados precisam  de um dono! Eles também saem rolar, dar a patinha, dão lambidinhas carinhosas e vão ser fiéis e amorosos com você! ADOTE um vira-lata!
Entenda o post: eu não aceito e nunca me conformarei com essa violência inaceitável! Antes de ter um cão, pense se pode dar à ele tudo o merecido e ajuda às pessoas à compreenderem o quanto é necessário ter condições para criar um bichinho. NÃO ABANDONE SEUS ANIMAIS e nem permita que ninguém o faça! Quando você vir um animal abandonado, contate o órgão de reabilitação de animais mais próximo para que eles tratem o animal ou o sacrifiquem caso seja estritamente necessário (infelizmente, esses anjinhos também podem transmitir doenças) e, principalmente, caso você presencie algum mau trato, DENUNCIE! Quer saber como?
Não tenha medo! Denuncie qualquer tipe de maus tratos contra animais para a polícia (disque 190). Denunciar, além de um ato de amor, é ato de cidadania. Colabore com testemunhas, provas, vídeos e tudo o que possa comprovar o crime. Sim, maus tratos é crime!

Você também não aguenta mais essa violência absurda contra nossos animais queridos? Que tal uma campanha? Eu fiz este selo para vocês colocarem na barra lateral dos seus blogs. Não sabe como colocá-lo na barra lateral? É muito simples: salve o selo no seu computador >> adicione um gadget de imagem no seu blog >> faça upload do selo >> no espaço "link" preencha com o link desse post >> prontinho! Você também pode contribuir com uma postagem com sua opinião sobre o assunto (sem plágios nem inspirações, hein), que tal? Ou faça melhor: junte uma galera da sua cidade e façam uma campanha para que o governo crie um órgão para abrigar e cuidar de cães abandonados, promovendo dia de adoção...Quem sabe não dá certo?
Temos que nos unir e, com todo nosso amor, colocar um ponto final nessa violência absurda! Animais são anjos! E você, leitor(a), o que acha dessa situação? O que podemos fazer para amenizá-la? Comente!

sábado, 25 de agosto de 2012

Lei da Palmada’ aprovada na Câmara dos Deputados

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14) o projeto de lei conhecida como ‘Lei da Palmada’, que proíbe os pais de baterem nos próprios filhos. A votação foi realizada em caráter conclusivo na comissão especial criada especificamente para tomar uma decisão a respeito do projeto de lei. A proposta não vai precisar ser analisada em plenário e poderá seguir diretamente ao Senado. Caso sejam coletadas 52 assinaturas em cinco sessões, a proposta pode acabar sendo direcionada ao plenário da Câmara.

O projeto foi relatado pela deputada Teresa Surita (PMDB-RR) e prevê direcionamento também aos pais que baterem nas crianças, como aulas de aconselhamento, um programa oficial de proteção à família, tratamento psicológico ou psiquiátrico e uma advertência. “Dar uma palmada não é crime, não acontece nada com os pais como punição. Não se propõe que se puna ou penalize os pais. [...] Mas a palmada é uma violência, é o início de qualquer agressão. A essência da lei é proteger a criança de qualquer agressão”, declarou Surita. 

De acordo com o texto do projeto, as crianças “têm o direito de serem educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar, educar ou proteger”.

Uma das principais preocupações com a “palmada” é que a criança agredida tem a tendência de aprender que a violência é a maneira de resolver situações desagradáveis. Por isso, durante o período de formação do indivíduo, devem ser evitadas todas as formas de agressão.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Como Diminuir a Violência Urbana?


ALGUMAS SUGESTÕES PARA A DIMINUIÇÃO DA VIOLÊNCIA

Como não dá para apagar com uma borracha toda a maldade do ser humano, tem-se que, num processo gradual e objetivo, eliminar os fatores geradores da violência.
Iniciando com os mais superficiais, mais fáceis de ser abatidos, sendo esses os de caráter material, como o desemprego, a falta de investimentos por parte do governo.

Medidas dadas como urgentes devem ser feitas nesse ritmo: urgente. Como estímulos no abate de impostos para a criação de empregos; aumento no salário do cidadão, transformando isso numa cadeia onde o custo se torna em benefício, pois quanto mais recebem mais gastam; reforma agrária é de suma importância a sua realização, porque é difícil a construção de um cidadão numa esfera onde não se tem nem o controle da segurança, onde quem comanda a favela são milícias armadas, além de tudo se cria uma imagem negativa do cidadão dos morros, fixando a discriminação e assim, a desigualdade social.

Outra medida é o investimento na educação, pois se percebe que grandes nações são resultados de grandes cidadãos. E com uma educação, desde o fundamental até o superior, de qualidade forma-se pessoas capazes e instruídas para reivindicarem seus direitos e assim cumprem com muito mais eficácia seus deveres. Pois a ignorância é aliada da violência, sendo que os traficantes agem principalmente nas favelas, onde os moradores têm menos conhecimentos que pessoas instruídas.

Há também a violência histórica, aquela que mancha a sociedade há séculos. Na realidade brasileira, o seu pior sintoma é o racismo e para acabar com ele, deve-se começar a criar um novo conceito de igualdade, pois vivemos rodeados por pensamentos conservadores, e estes são muito difíceis de mudarem. A igualdade racial tem que parar de ser idealizada e ser colocada na prática, pois essa herança do regime escravagista deve ser abolida do comportamento social. Isso reflete em várias situações, como na questão religiosa, onde mulçumanos com aspectos de pessoas do Oriente Médio são taxados de terroristas, um erro grave e preconceituoso, que como na questão do racismo negro deve ser abolida da ordem atual, com medidas duras tanto jurídicas como morais. Penas mais severas para racistas e exclusão social para estes.

Analisando um outro aspecto, notamos que o desigualdade social é resultado de todas essas violências, que geram problemas muito graves. E o motivo da violência estar se alastrando como inço deve-se também pela impunidade e pela facilidade de se obter armas e drogas. Para o fim disso, precisa-se de medidas eficazes e não simplesmente arranjar culpados. É preciso tornar as leis e as penas mais duras e que haja uma capacidade de reabilitação para o infrator, e arrancar o mal pela raiz dando capacidade de convivência social na sociedade, lhes garantindo educação, emprego, saúde, segurança e dignidade para atingir seus objetivos.

De forma urgente, precisamos mudar o comportamento social para que a violência não se alastre e que todos tenham realmente direitos iguais. Que ninguém tenha que fazer manifestações exigindo que se cumpram seus direitos, pois se são direitos devem ser obrigatórios. Que todos tenham segurança para que ninguém precise comprar uma arma para se defender de delinqüentes inconseqüentes. E que ninguém precise virar um delinqüente por falta de oportunidade, por fome ou para saciar a de seus filhos.

Medidas das autoridades contra a violência terão que ser mais objetivas e não simplesmente aumentar o número de policiais nas ruas e falar que ladrão não presta. Tem que investir na educação para que a próxima geração venha com pensamento na mudança e não a mudança no pensamento.

Temos que parar de arranjar culpados e ver soluções.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

VIOLÊNCIA DAS TORCIDAS

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Leio, estupefato, que nos últimos dez anos, 42 torcedores morreram em conflitos relacionados ao futebol. Isso coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking macabro de mortes neste esporte.

E contra isso praticamente nada foi feito.

Todos os dias em que há futebol neste País, ocorrem brigas de torcedores. Ou, pelo menos, algum evento de violência.

As torcidas uniformizadas, fonte principal da pancadaria e de conflitos, permanecem incólumes, usando o símbolo dos clubes, sua camisa, sua tradição para molestar adversários, para espalhar medo e ódio.

Onde está o Ministério Público? Que não toma de uma vez por todas a providência de expulsar para sempre esses vândalos de nossos estádios?

Onde estão os clubes, as federações e a CBD que não exigem das autoridades competentes que punam os que só querem baderna? E os clubes, que se acovardam em não tomar providências contra esses bandos de vândalos que usam seus nomes e símbolos para denegrir sua imagem, através da disseminação da violência?

Acovardam-se todos diante das ondas de torcedores fanáticos que não mereciam ocupar nos estádios o lugar de pessoas civilizadas, que sabem ser o futebol um fator de união, de descontração, de beleza e nunca de violência, de pancadaria.

São muito tímidas, até agora, todas as providências contra os vândalos, os assassinos.

Não podemos tolerar que uma sociedade inteira pague com a vida de seus cidadãos o preço da incompetência, da complacência para com a violência nos estádios.

Já passou da hora de apenas contarmos e chorarmos os mortos.

Não bastam campanhas contra esses bandos de descontrolados: são necessárias leis que proíbam, primeiro a existência das uniformizadas e, segundo, que pessoas flagradas em atos de violência continuem a frequentar os estádios.

Paz no futebol, paz na sociedade, paz na vida das pessoas!

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A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente.
Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não costuma obedecer nenhum nível social, económico, religioso ou cultural específico, como poderiam pensar alguns.
Sua importância é relevante sob dois aspectos; primeiro, devido ao sofrimento indescritível que imputa às suas vítimas, muitas vezes silenciosas e, em segundo, porque, comprovadamente, a violência doméstica, incluindo aí a Negligência Precoce e o Abuso Sexual, podem impedir um bom desenvolvimento físico e mental da vítima.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Violência doméstica e Homofobia: Direitos Humanos começam em casa!



            Há duas semanas tomei conhecimento de uma história assustadora: um jovem de 18 anos, que era sistematicamente agredido física, verbal e psicologicamente por seu irmão mais velho, publicou um pedido de ajuda no Facebook. A história impactava pelo relato das agressões, pelas imagens dos ferimentos e hematomas, e pelo desespero do rapaz.
Seu pedido acabou por mobilizar uma enorme rede de solidariedade na internet, serviços de assistência social e entidades de defesa dos direitos humanos. Pessoas de todos os cantos do país se mobilizaram no sentido de oferecer apoio, garantir a integridade do rapaz, de colocá-lo em segurança em um ambiente em que pudesse estar dignamente, livre de qualquer ameaça. A ONG Cellus de Contagem e o Centro de Referência LGBT de Belo Horizonte prestaram a assistência direta ao rapaz e mantiveram informados os ativistas e militantes que estavam acompanhando o desenrolar da história.
            De tudo isso alguns aspectos me chamam a atenção, apesar do rumo positivo que a história tomou, todas elas aparecem no pedido de socorro do garoto e acredito que merecem análise.
O primeiro é o fato das agressões acontecerem na própria casa da vítima e o agressor um familiar, ou seja, o rapaz era vítima de violência doméstica motivada por homofobia.
O segundo ponto foi o fato do rapaz já ter procurado ajuda antes, já ter solicitado apoio policial e já ter tentado denunciar seu agressor e ter sido deliberadamente ignorado pela autoridade policial. Isso me deixou emputecido (com o perdão da palavra).
Por último, me chama a atenção um trecho do pedido de ajuda onde o rapaz diz “não quero tentar desistir de minha vida novamente”, ou seja, o garoto chegou a pensar em suicídio como alternativa para acabar com seu sofrimento.
Apesar do meu estranhamento, este tipo de agressão é muito mais comum do que temos noção ou do que as estatísticas oficiais dão conta de registrar, muitas LGBTs sofrem diariamente ou já sofreram algum tipo de agressão ou discriminação em seus próprios lares, e assim como milhões de crianças, adolescentes, mulheres, idosos ou deficientes são diariamente vitimizados em suas residências, sofrem com xingamentos, ofensas, torturas, abusos, privações e toda sorte de humilhações perpetradas por seus próprios familiares.
Uma família que agride - como a do rapaz que motivou este texto - é uma família que está inserida em uma dinâmica de violência doméstica (independente da motivação e de quem seja o agressor), ou seja, é uma família onde a relações se deterioraram de tal forma em que aquele que é agredido deixa de existir como indivíduo, perde autonomia, é despersonalizado, é privado de manifestar sua vontade e submete-se às vontades, aos valores e aos desejos de seu dominador.
E era esta a situação deste rapaz!
O garoto estava despersonalizado, a mercê de alguém que julgava ter o direito de humilhá-lo, agredi-lo e dispor de sua vida como bem entendesse, e que se dava o direito de assim o fazê-lo por conta de seu vínculo com a vítima e justificando seus atos por sua crença religiosa.
Em seu relato, o garoto conta que já havia chamado a Polícia algumas vezes e que esta, em vez de cumprir seu papel de encaminhar os envolvidos ao Distrito Policial mais próximo para que a agressão fosse devidamente registrada e se tomasse as providências necessárias para punir o agressor, tratou as agressões como mera desinteligência. Os policiais que atenderam a ocorrência se arrogaram do direito de fazer pregações religiosas à vítima e de agrediram mais ainda a vítima, ao estigmatizá-la, humilhá-la e tratá-la com preconceito. Esses policiais não só prevaricaram de suas atribuições, como legitimaram as agressões, deram razão ao agressor, que certo de sua impunidade se tornou mais violento.
A situação se agravou de tal maneira que o rapaz em seu desespero diz “não quero tentar desistir de minha vida novamente”, a afirmação foi escrita na mesma semana em que um garoto de apenas dez anos se suicidou na cidade de Vitória/ES, por não suportar mais as intimidações e as humilhações que sofria na escola, onde bullying homofóbico corria solto sem que providências eficazes fossem adotadas (cabe um post sobre isso).
Fico aqui pensando nas milhares de pessoas que passam pela mesma situação do garoto desta história: são agredidos em casa por familiares, ignorados pelo poder público e sem perspectiva alguma que a idéia de por fim a própria vida e se ver livre do sofrimento se torna sedutora.
Em teoria – às vezes só em teoria mesmo – é em nossa casa e com nossa família que devíamos nos sentir seguros, acolhidos, é com nossa família que tradicionalmente estabelecemos nossas primeiras relações sociais, família que aprendemos nossos conhecimentos básicos, e onde compartilhamos situações históricas, culturais, sociais, econômicas e afetivas.
Mas como a família deste rapaz, muitas famílias abrem mão de seu papel de proteger e socializar o indivíduo, rompendo com o pacto social estabelecido, e se inserindo em um ciclo violento.
Assim, é preciso debater formas de garantir os direitos fundamentais daqueles que são violados dentro de suas casas. Pensar nas mulheres, idosos, deficientes, crianças e adolescentes, travestis, lésbicas e gays que não tem acesso a internet, que não têm acesso a políticas de atendimento, e que não vêem alternativas além de se submeter ao agressor ou acabar com a própria existência, já que ninguém os vê e ninguém os ouve.
É urgente que deixemos de ser invisíveis aos olhos da sociedade e do Poder Público, que se crie mais e mais políticas públicas que atendam as vítimas de violência doméstica, as vítimas de homofobia, ou as vítimas de qualquer agressão de caráter discriminatório, aconteça dentro de casa ou não! Cabe discutir sobre a necessidade de criar espaços que acolham às LGBTs que são sistematicamente agredidos por suas famílias, que são expulsos de casa e privados do convívio familiar.
Precisamos de políticas que criem mecanismos que inibam e punam agressores, e que acolham e garantam a integridade daqueles que são vitimizados; Necessitamos de políticas que capacitem os agentes públicos para atender adequadamente e acolher aos que recorrem aos serviços, e não vitimizá-los mais uma vez perpetuando as agressões. E de serviços que invistam em educação em direitos humanos e atendam toda a família inserida em um ciclo violento.
Precisamos de políticas públicas que preservem a integridade física e psicológica do agredido, onde a vida seja tratada como maior bem do ser humano, de políticas que ofereçam condições de uma existência digna e a perspectiva de um recomeço livre de violações!

Aspectos de violência

A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora acometa indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais, é nos bairros pobres que ela se torna epidêmica. A prevalência varia de cidade para cidade, e de um país para outro. Como regra, a epidemia começa nos grandes centros e se dissemina pelo interior. A incidência nem sempre é crescente; a mudança de fatores ambientais pode interferir em sua escalada.Sabe-se que os genes herdados exercem influência fundamental na estrutura e função dos circuitos de neurônios envolvidos nos mecanismos bioquímicos da agressividade.
É bom ressaltar, porém, que os fatores genéticos não condicionam o comportamento futuro: o impacto do meio ambiente é decisivo. Os mediadores químicos liberados e a própria arquitetura das conexões nervosas que constituem esses circuitos são dramaticamente modelados pelos acontecimentos sociais da infância. As estratégias que as sociedades adotam para combater a violência flutuam ao sabor das emoções; o conhecimento científico raramente é levado em consideração. Como reflexo, o tratamento da violência evoluiu muito pouco no decorrer do século XX, ao contrário do que ocorreu com as infecções, câncer ou AIDS.

A explicação para tratar a violência está nos erros do passado. No século XVIII, um anatomista austríaco chamado Franz Gall desenvolveu uma teoria em torno da seguinte idéia: a maioria das características humanas, inclusive o comportamento anti-social, seria regulada por regiões específicas do cérebro. Cada comportamento estaria sob o comando de um centro cerebral específico. Quanto mais robusto fosse o centro mais intensa seria a expressão do comportamento controlado por ele. Essa teoria ganhou o nome de frenologia. Franz Gall imaginava que, ao crescer, os centros cerebrais exerciam pressão contra os ossos da cabeça, deixando neles saliências que poderiam ser vistas ou palpadas. As pessoas com tendências criminosas poderiam, então, ser reconhecidas pelo exame cuidadoso dessas protuberâncias e depressões ósseas presentes no crânio. Com o tempo, a frenologia caiu em descrédito, mas a tentação de identificar a aptidão para o crime por meio de características físicas persistiu.

Cerca de cem anos depois da frenologia, um italiano especialista em antropologia criminal chamado Cesare Lombroso criou uma nova doutrina que ressuscitou a associação das características físicas com uma suposta índole criminosa. Tais características constituiriam os "stigmata". De acordo com Lombroso, os tipos humanos com testa achatada e assimetria nos ossos da face, por exemplo, seriam criminosos potenciais. Quem tivesse esses traços era classificado como tipo lombrosiano e visto com extrema desconfiança nos tribunais.

Em 1949, Egas Muniz, neurocirurgião português, ganhou o prêmio Nobel de medicina em reconhecimento por haver introduzido a lobotomia, na prática médica. Na lobotomia, são seccionados os feixes nervosos que chegam e os que saem do lobo frontal, localizado na parte anterior do cérebro, estrutura responsável pela tomada de decisões a partir das informações captadas pelos sentidos. Inicialmente indicada apenas nos casos de pacientes muito agressivos, as lobotomias se popularizaram segundo critérios de indicação duvidosos e, muitas vezes, serviram como instrumento de poder ou castigo, especialmente nos estados totalitários (mas não apenas neles).

Nos últimos 50 anos, essas teorias caíram gradativamente em descrédito, até se tornarem execradas pelos estudiosos. Hoje, são consideradas exemplos típicos de ideologias pseudocientíficas que foram utilizadas para justificar arbitrariedades graves. Paralelamente ao abandono dessas idéias, criou-se em certos setores da sociedade um medo generalizado de que os cientistas realizassem pesquisas laboratoriais, capazes de conduzir à obtenção de medicamentos apaziguadores dos instintos violentos. Imaginava-se que essas drogas poderiam ser administradas preventivamente às comunidades carentes de recursos, para acabar com a violência milagrosamente, sem que as classes dominantes precisassem abrir mão de seus privilégios.

Pensamentos desprovidos de bases científicas como esses, trouxeram péssima reputação aos estudos do comportamento anti-social. A politização afastou a comunidade acadêmica da área e a violência urbana passou a ser entendida como um fenômeno de raízes exclusivamente sociais. Qualquer tentativa de caracterizar um substrato orgânico para a agressividade física gerava debates carregados de emoção e até manifestações políticas.

O panorama começou melhorar a partir da década de 1970, quando os americanos tomaram consciência de que as dificuldades enfrentadas com as minorias do centro deteriorado das grandes cidades de seu país não desapareceriam espontaneamente. Ao contrário, a violência aumentava apesar do maior rigor em puni-la. Os institutos oficiais começaram, então, a financiar pesquisas para conhecer melhor o lado biológico da violência. As informações científicas acumuladas nos últimos 30 anos permitem afirmar que a violência tem um substrato biológico, de fato. O comportamento humano, no entanto, não se acha condicionado às características que herdamos de nossos pais. Ele é resultado de interações sutis entre genes, condições ambientais e experiências de vida.
A revista Science, que divide com a Nature prestígio e popularidade inigualáveis no meio acadêmico internacional, acaba de publicar um número dedicado a discutir a violência com base nas informações científicas disponíveis atualmente. Vamos resumir, aqui, o que a ciência sabe sobre a bioquímica e os fatores sociais envolvidos na violência, de acordo com essa revisão primorosa publicada pela Science:

1) O papel do álcool - O rato coloca o nariz num buraco da gaiola. No buraco há um sensor que detecta a presença do nariz e ativa um circuito elétrico. Nesse instante, num bebedor de água ao lado, caem algumas gotas de bebida alcoólica que o rato bebe rapidamente. Cada dose de álcool que cai é calculada de acordo com o peso corpóreo do rato para corresponder à de uma cerveja, no homem.Invariavelmente, ao terminar o drinque, o rato volta a colocar o nariz no buraco com sensor, para obter outro. Se o pesquisador deixar, o animal bebe até cair. Por isso, depois de tomar o equivalente ao segundo drinque, o fornecimento de álcool é interrompido. Nesse momento, um rato sóbrio é colocado na mesma gaiola do que bebeu. Os ratos são animais territoriais; numa situação dessas costumam atacar o intruso até que este levante as patas da frente para evitar mordidas e declarar submissão. O rato que bebeu os dois drinques não respeita a postura submissa do sóbrio, corre atrás e morde o outro muitas vezes. Mais de vinte vezes em cinco minutos, segundo o autor do experimento, Klaus Miczek, da Universidade de Tufts. Numa sociedade como a ocidental, em que o hábito de tomar dois drinques por dia é considerado abstinência por muitos, não é de se estranhar que de cada três crimes violentos, dois sejam cometidos sob efeito de bebidas alcoólicas. Grande parte das agressões mortais tão comuns na periferia das cidades brasileiras acontece nos bares, e muitos ladrões ingerem álcool antes de sair para o assalto.

2) Neurotransmissores - A experiência descrita com o álcool deixa claro que existem mediadores químicos envolvidos nos mecanismos que conduzem à agressividade. O mediador mais estudado tem sido a serotonina, substância que transmite sinais entre os neurônios, ligada às sensações de prazer, mas também às depressões, distúrbios de alimentação e dependência de cocaína.A serotonina, provavelmente, exerce controle inibitório sobre a agressividade impulsiva. Desarranjos no sistema de produção e metabolismo da serotonina têm sido descritos em pacientes psiquiátricos agressivos, homens impulsivos e violentos e em suicidas. Numerosos estudos documentaram níveis baixos de serotonina no líquor, isto é, no líquido que banha a medula espinal e o cérebro, em animais agressivos e também no homem. Como demonstração de causa e efeito, se administrarmos drogas que modificam os níveis de serotonina no líquor teremos alterações proporcionais na agressividade: drogas que diminuem as concentrações de serotonina aumentam a agressividade; as que aumentam serotonina tornam os animais mais dóceis. Diversos pesquisadores estão concentrados na caracterização dos receptores aos quais a serotonina se liga na superfície dos neurônios, para exercer seu efeito. Várias drogas que interferem com esses receptores reduzem a agressividade em ratos e macacos.
Outro neurotransmissor que parece estar envolvido na modulação da violência é a vasopressina. Em 1998, Coccaro e Ferris, da Universidade de Chicago, dosaram as concentrações de vasopressina no líquor de 26 homens portadores de distúrbios anti-sociais. Verificaram que níveis mais altos de vasopressina estavam associados a comportamento mais agressivo.

3) Lobo frontal - Muitos autores acreditam que o córtex do lobo frontal, camada de massa cinzenta que recobre o lobo, exerce influência importante no controle da impulsividade e do comportamento violento. Em 1997, A. Raine, estudou 41 homens encarcerados e um grupo de 41 indivíduos livres para servir de grupo controle, na Universidade da Califórnia. Todos foram submetidos ao PET- scan, tomografia que permite analisar as áreas cerebrais que estão em atividade num dado momento. Os resultados mostraram que o córtex da parte da frente do lobo frontal apresentava alterações fisiológicas nos presos condenados por crime de morte. O mesmo autor publicou outro estudo, no qual foram determinadas as dimensões do córtex do lobo frontal em diversos portadores da assim chamada personalidade anti-social, que haviam sido responsáveis por atos violentos. Neles, a substância cinzenta ocupava uma área 11% menor. Inquirido sobre o significado desse achado, Raine, respondeu à Science: "Não tenho a menor idéia".

4) A genética - Embora muitos considerem politicamente incorreto, os estudos conduzidos entre irmãos gêmeos univitelinos (iguais) criados na mesma família ou crescidos sem contato em lares distantes, são altamente sugestivos de que um componente genético esteja envolvido na agressividade. Na Holanda, há um caso clássico, relatado em 1993, de uma família cujos membros do sexo masculino haviam se engajado em crimes de morte, estupros, roubos e incêndios criminosos. A análise genética mostrou que esses homens tinham um defeito muito raro num gene que codifica a produção de uma enzima chamada MAOA, que age quebrando as moléculas de diversos neurotransmissores. Em 1999, S. Manuck e colaboradores publicaram um estudo realizado com 251 voluntários testados para a presença de mutações num gene responsável por uma enzima que limita a produção de serotonina. Os autores foram capazes de identificar mutações nesse gene associadas a diversas manifestações de agressividade, incluindo a tendência de experimentar sensação de raiva sem motivo aparente. Em ratos, já foram identificados 15 genes que interferem com a agressividade, entre eles o da MAOA. A identificação de alguns desses genes, às vezes, aparece nas manchetes da imprensa leiga, como representando o descobrimento do "gene da agressividade". Conhecimentos elementares de genética, entretanto, demonstram que comportamentos complexos como a violência nunca são regulados por um gene único; estão sob o comando de uma constelação de genes que interagem através de mecanismos de extrema complexidade. Muitos biólogos moleculares estão convencidos de que essas interações são tão complexas, que dificilmente serão entendidas a ponto de podermos manipulá-las com segurança para modificar um comportamento de forma previsível, por mais elementar que seja ele.

5) A violência das crianças - Sem menosprezar a influência do meio, é inegável que a tendência a reagir de forma violenta diante de uma situação adversa varia de uma criança para outra, sugerindo raízes pré-natais. Segundo a Science, os pesquisadores atuais procuram entender a violência como expressão final de um conjunto de fatores de risco. Entre eles, estaria incluída uma vulnerabilidade biológica, genética ou desenvolvida na fase pré-natal, trazida à superfície ou reforçada pelo meio social. Crianças cronicamente violentas freqüentemente apresentam comportamento hiperativo, dificuldade de concentração na escola, ansiedade, confusão mental, impulsividade, ideação fantasiosa e tendências autodestrutivas. Esses distúrbios emocionais se agravam quando essas crianças se agrupam com outras, portadoras de comportamentos semelhantes. Estima-se que 2% dos meninos e menos de 1% das meninas apresentem essas características. É importante ressaltar que a maioria das crianças violentas deixam de sê-lo na adolescência. No caso dos adultos mais agressivos, porém, as raízes do comportamento anti-social costumam já estar presentes na infância, sugerindo que a agressividade seja um fenômeno bastante estável no decorrer da vida .O grupo de R. Tremblay, da Universidade de Montreal, vem acompanhando mil meninos canadenses a partir dos 6 anos de idade, desde 1984. A maioria dos que eram fisicamente violentos na infância abandonou esse comportamento ao redor dos 12 anos, mas em 4% a agressividade se tornou crônica. Tremblay identificou dois fatores de risco nesse grupo: as mães dos meninos eram menos instruídas e tiveram seus filhos numa idade mais precoce. Teoricamente, seriam mães menos preparadas para educar crianças problemáticas. Entre os traços associados ao comportamento violento das crianças está a falta de empatia, isto é, a dificuldade de colocar-se no papel do outro. Um dos exemplos é a crueldade com os animais, uma das primeiras manifestações dessa incapacidade. Estudos conduzidos por D. Rowe, na Universidade do Arizona, mostram que crianças com QI abaixo da média, também apresentam risco mais alto de se tornarem adultos violentos. O grupo de A. Raine, que acompanha cerca de 1800 crianças das ilhas Maurício, publicou um trabalho demonstrando que as crianças com baixa freqüência cardíaca aos 3 anos de idade tinham maior probabilidade de serem fisicamente agressivas aos 11. Em outros estudos, os mesmos autores mostraram que meninos com ondas cerebrais mais lentas e condutância cutânea mais baixa (uma medida da sudorese através da pele) tinham maior probabilidade de acabar na prisão, anos depois. Os autores desconfiam que esses parâmetros sejam simples indicadores de um sistema nervoso central mais desregulado. Nesses casos, quando o estresse é mantido, os circuitos de neurônios envolvidos no controle da agressividade ficariam sobrecarregados e entrariam em colapso. Apesar de essas conclusões serem criticáveis por não levarem em conta a influência poderosa do meio ambiente, a existência da agressividade física na infância é irrefutável. Se não considerarmos as conseqüências da agressão e olharmos apenas para o comportamento agressivo, a idade mais violenta de todas é a de 2 anos. R. Temblay afirma na revista Science: "A pergunta que tentamos responder nos últimos 30 anos, é como as crianças aprendem a agredir. A pergunta está errada; o certo seria perguntar como elas aprendem a não agredir. Os bebês não se matam uns aos outros, só porque lhes impedimos o acesso aos revólveres".

Evidências científicas sugerem que a reatividade emocional de um indivíduo pode predispô-lo à agressividade física. Essa propensão está associada a um baixo limiar de ativação de um conjunto de emoções e estados de espírito negativos: raiva, ansiedade e agitação, entre outros. As técnicas modernas de neuro-imagem permitiram identificar diversas regiões cerebrais envolvidas nos circuitos de neurônios que amplificam, atenuam ou mantêm as emoções. A ativação experimental ou a lesão desses centros altera a intensidade de expressão dos estados emocionais regulados por eles. Por exemplo, lesões provocadas numa estrutura cerebral chamada amígdala prejudica a percepção de expressões de medo e lesões numa pequena área do lobo frontal podem desregular a forma de exprimir raiva. Em camundongos, lesões de determinadas áreas do lobo frontal transformam um animal calmo em impulsivo e violento. O estado emocional-afetivo de cada indivíduo é estabelecido por uma delicada rede de neurônios que convergem para determinadas áreas do cérebro, e pelos neurotransmissores liberados por eles na condução do estímulo. As reações individuais dependem, então, da sintonia fina dessa circuitaria de neurônios em ação. Como a violência não é um fenômeno homogêneo, suas manifestações são graduadas por circuitos específicos de neurônios.

Por exemplo, um estudo conduzido entre 41 homens condenados por assassinato mostrou que os autores de crimes premeditados, predatórios, apresentavam um padrão de metabolismo do lobo pré-frontal diferente daqueles que haviam cometido o assassinato como conseqüência de uma explosão impulsiva. Indivíduos bem adaptados são capazes de regular voluntariamente suas emoções negativas e aproveitar determinadas indicações do meio, como as expressões faciais ou vocais de medo ou raiva, para definir a melhor estratégia de comportamento a ser adotada. É provável que aqueles predispostos à violência apresentem anormalidades na condução de estímulos através dos circuitos responsáveis por essas estratégias adaptativas. Há evidências claras de que genes herdados dos pais influenciam a estrutura e função dessas circuitarias de neurônios. O fator genético, no entanto, interage com as influências do ambiente desde as fases mais precoces do desenvolvimento da criança. A própria estrutura das conexões envolvidas nesses circuitos é dramaticamente modelada pelos acontecimentos sociais da infância. As pesquisas atuais para caracterizar a função das fibras nervosas que entram e saem dos centros cerebrais moduladores das emoções abrirão caminho para intervenções medicamentosas associadas a estratégias psicossociais preventivas nas populações de alto risco. Para isso, os primeiros passos estão dados: reconhecer que tanto a agressão impulsiva quanto a premeditada, independentemente das causas responsáveis por elas, são doenças contagiosas que refletem anormalidades fisiológicas nos circuitos de neurônios que controlam as emoções.